10 Segundos A Canidelo Orquidea Patched (Best)
MIGUEL (encostado no portão, mão no regador) Diz-se que as coisas que sobrevivem a um remendo acabam por dizer mais do que o inteiro.
ORQUÍDEA (voz suave, sem corpo visível) Chamas têm pressa; remendos aprendem a esperar.
(MIGUEL sorri, com ternura.)
MARIA E a memória de uma rua que sabia o meu nome antes de eu lembrar do meu.
MARIA Três invernos desde que a trouxe de Lisboa. Pensei que ia morrer no caminho. Mas ela abriu — com um pedacinho costurado. Como eu. 10 segundos a canidelo orquidea patched
(MARIA toca a pétala uma última vez. Puxa o fio azul entre os dedos e, por um instante, o tecido parece pulsar como pele antiga. Ela solta o fio; ele volta ao lugar.)
ORQUÍDEA Dez segundos. Tempo suficiente para escolher. MIGUEL (encostado no portão, mão no regador) Diz-se
MARIA Prometo que não vou arrancar. Prometo que vou regar.
MARIA (abrindo os olhos) Sabe, quando voltei, pensei em arrancar o remendo. Tirá-lo e ficar com a flor inteira de novo. MARIA Três invernos desde que a trouxe de Lisboa
(MARIA fecha os olhos. Uma gaivota grita. O mar responde. Dez segundos passam; algo muda — não grandioso, apenas exato: uma folha se abre, uma semente solta, um suspiro.)

